segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


Deitada na grama de um campo de futebol vazio, sobre uma colcha velha sem uso, olhando o céu azul, respingado de poucas nuvéns... Imagino que uma boa música, daquelas bem intensas que provocam arrepios com seus meandros de sensibilidades possa pontuar esse quadro de um dia tranquilo de domingo.
Ali nesse ambiente ela estava mais do que sozinha, ela partilhava não só o gramado e o céu, mas também sua própria mente turbulenta, e os dois ambientes entrelaçados proporcionavam um efeito muito peculiar, como quando se olha um assassino em interrogatorio por trás daqueles vidros em que só se ve de dentro para fora. Seus pensamentos eram a lente pela qual ela enxergava o azul do céu, e o tato diferenciado para o vento e o clima sereno que fazia aquele fim de tarde. Aos olhos de quem a via ali, era só uma garota deitada olhando para o céu. Talvez achassem que ela estivesse triste, querendo, por algum motivo, ficar sozinha, ou que estivesse esperando alguem. Mas ela apenas curtia a sensação de se perder no tempo em seus pensamentos, em seu proprio mundo onde o que quer que pensasse poderia ser real, e naquele momento ela pensava: o que viria a seguir, onde estaria mais para a frente? e em suas hipotéticas respostas ela se via incorporando vidas surreais de personagens dos seus filmes alternativos favoritos. Mas na verdade tudo aquilo ja habitava sua mente. Ela só queria experimentar o mundo, e ser mais do que seria, quando levantasse e recolhesse suas coisas a caminho de casa.

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